O que vem antes da estratégia?

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A batalha de Monte Gisardo, 1177, por Charles-Philippe Larivière

Sun Tzu não batizou seu livro como “A arte da guerra”. O título original, Bīngfǎ, pode ser traduzido como “métodos” ou “princípios da guerra”, referindo-se a doutrinas e fundamentos militares. A tradução consagrada no Ocidente — A Arte da Guerra — carrega uma escolha semântica instigante.

A palavra “arte”, à primeira vista, pode passar despercebida. Mas, sob um olhar mais atento, ela cria um contraste interessante. Arte pressupõe sensibilidade, intuição e inspiração: expressões elevadas da capacidade humana.

Associamos arte a nomes como Pablo Picasso, Michelangelo, Wolfgang Amadeus Mozart, etc. Como, então, articular essa ideia com um tratado sobre guerra?

Talvez o ponto não seja a estética, mas a maestria. Em Sun Tzu, guerra não é violência instintiva, impulsiva. É inteligência aplicada sob pressão. Para ele, guerra não é caos. É cálculo. E deve ser evitada sempre que possível, pois envolve custos humanos, econômicos e morais.  

“A melhor vitória é vencer sem lutar”. 

É nesse sentido que a “arte” não se opõe à técnica: ela a transcende.

A Arte da Guerra é um compêndio sobre pensamento estratégico, estruturado em 13 capítulos compostos por aforismos concisos. Não textos poéticos ou religiosos, mas formulações diretas sobre ação, defesa, ataque, recuo e, sobretudo, decisão.

No ambiente corporativo, é comum observarmos dois movimentos opostos: o impulso irrefletido para a ação ou o congelamento diante das demandas. Em ambos os casos, falta o que vem antes da estratégia: a capacidade de perceber. 

Percepção, em termos estratégicos, é a leitura qualificada do contexto antes da ação. Nasce no indivíduo e, sim, pode ser ampliada no coletivo. Mas é sempre originada por alguém. 

Cabe salientar que a percepção não é, por si só, inteligência. Ela pode ser limitada, distorcida ou até ilusória. 

Pressão, prazos, expectativas desalinhadas, excesso de informação. Reuniões que se acumulam, decisões que se sobrepõem, ruídos de comunicação que se amplificam. O ambiente se torna denso. Pouco a pouco, a clareza cede lugar à confusão.

Nesse estado, o impulso leva a decisões equivocadas, ou a paralisia por saturação. 

Mas calma. É preciso sustentar a atenção nesse ponto. Parece insolúvel, mas não é. É justamente aqui que um bom resultado começa a ser construído.

Antes da estratégia, está a decisão.

Antes da decisão, a identificação do problema.

E, ainda antes disso, o mais sutil. A escolha do que será considerado problema.

Diante de tantos sinais, ruídos e possibilidades, alguém decide, consciente ou não, o que merece atenção AGORA.

Observe: os problemas não estão nos fatos externos, mas em suas raízes. A forma como nos relacionamos com a realidade diz muito sobre os encaminhamentos que daremos às circunstâncias.

É tempo de estratégia. Mas estratégia baseada em novas leituras da realidade. 

Não o de novo. Mas o novo.

Porque o “de novo” se repete.

E, muitas vezes, repetir não é uma opção. 

Fontes

Sun Tzu (também grafado como Sunzi) é uma das figuras mais influentes do pensamento estratégico chinês, tradicionalmente reconhecido como autor de A Arte da Guerra. Seu nome pode ser entendido como um título honorífico — “Mestre Sun”. Acredita-se que tenha vivido por volta dos séculos VI a V a.C., Uma era marcada por conflitos entre estados na China antiga. Segundo a tradição, atuou como general no estado de Wu, onde teria aplicado na prática os princípios que mais tarde seriam sistematizados em sua obra.

Wikipédia

Metodologia proprietária da Otimiza Consultoria.

Experiências e vivências práticas em diferentes organizações.

Referências diversas da literatura de gestão empresarial.